Hoje fez um dia esquisito, daqueles que a gente fica olhando pro céu tentando adivinhar o que vai acontecer. Fez um vento danado, as nuvens se reviraram, folhas pra todos os lados, cabelos se levantando e pessoas cobrindo seu rosto pra não terem os olhos tomados pela poeira que estava no ar.
Olhava para o céu quando estava na estrada, via as plantações de cana se deitando no chão, e ainda uma camada fina de água, como uma chuva caída ha pouco tempo. O céu ainda tinha um misto de poluição, poeira e um pouco de chuva que se formava pra cair logo depois. O vento balançava o carro, tendo eu que segurar forte no volante pra não perder a direção, foram momentos tensos.
Passei pelo escritório e peguei meu note, pra não correr o risco de ele ser levado de novo, corri pra casa com medo de que a chuva não fosse só de água, mas também de gelo.
Logo que cheguei em casa ouvi as gotas de chuva batendo nas janelas e o cheiro de terra molhada se espalhando pelo local. Fazai um bom tempo que eu não parava pra sentir isso, a terra recém molhada pela chuva, deu saudade da minha infância, de correr pelo terreiro da casa da minha avó, dos dias em que eu ficava na chuva de propósito fazendo laguinhos, represando a enchurrada que se formava.
Ai, ai, memória de vez em quando nos traz coisas boas.
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